CFOP 6915: Remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo
Quando o bem que precisa de conserto tem que viajar para outro estado — porque a assistência técnica autorizada, o fabricante ou a oficina especializada ficam fora da sua UF —, o CFOP usado na remessa muda. É aqui que entra o CFOP 6915: a versão interestadual do CFOP 5915, que vimos no guia anterior para operações dentro do mesmo estado.
A lógica da operação é a mesma: o bem sai temporariamente, sem venda, para ser reparado, e depois retorna ao dono. O que muda é justamente por estar cruzando fronteira estadual — e isso também muda os códigos usados na entrada e no retorno. Vale a atenção redobrada aqui, porque é justamente nesse ponto que temos um erro comum entre quem preenche a nota: usar os mesmos códigos de entrada do 5915 (1915/1916) em vez dos códigos corretos para operação interestadual.
Resumo rápido:
- O CFOP 6915 é usado na remessa de um bem para conserto ou reparo em outro estado.
- Se a oficina estiver no mesmo estado que você, use o CFOP 5915, não o 6915.
- Não representa venda: mesma lógica do 5915, só que entre UFs diferentes.
- A entrada correspondente, no estabelecimento que recebe o bem para consertar, é o CFOP 2915 — não o 1915.
- O retorno do bem já consertado usa o CFOP 6916, com entrada em 2916 para quem recebe de volta.
O que é o CFOP 6915?
O CFOP 6915 classifica a saída de uma mercadoria ou bem enviado para conserto ou reparo em um estabelecimento localizado em outro estado. Assim como o 5915, ele não representa venda: o bem sai temporariamente, sem transferência de propriedade, com o objetivo específico de ser reparado e devolvido ao proprietário depois.
Anatomia do código: o que cada parte do 6915 significa
- 6 — grupo: indica saída interestadual (para outro estado).
- 9 — subgrupo: representa o grupo de “outras saídas de mercadorias ou prestações de serviços”.
- 15 — código específico: identifica a remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo.
A única diferença estrutural para o 5915 está no primeiro dígito: 5 indica operação interna, 6 indica operação interestadual. O restante do código (9 e 15) tem exatamente o mesmo significado nos dois casos.

Quando usar o CFOP 6915?
Use o CFOP 6915 sempre que o bem for enviado para reparo em um estabelecimento localizado em outro estado. Alguns exemplos práticos:
- Uma indústria em Santa Catarina envia uma máquina para o fabricante, sediado em São Paulo, consertar;
- Uma loja recebe um produto com defeito de fábrica e o remete para a assistência técnica autorizada, localizada em outro estado;
- Uma empresa remete um equipamento para calibração em um laboratório especializado fora da sua UF.
O critério que define se você usa o 5915 ou o 6915 é simples: estado de origem igual ao de destino → 5915; estados diferentes → 6915.
O fluxo completo da remessa interestadual
Seguindo a mesma lógica do ciclo explicado no guia do CFOP 5915, mas agora entre estados diferentes:
A empresa emite a nota de saída com o CFOP 6915, informando o valor de referência do bem e o motivo da remessa (“remessa para conserto/reparo”).
A oficina, em outro estado, recebe o bem e registra a entrada com o CFOP 2915 — não 1915. O grupo “2” identifica entradas provenientes de outro estado, então esse é o código correto quando quem envia e quem recebe estão em UFs diferentes.
Após o reparo, a oficina devolve o bem emitindo a saída com o CFOP 6916 (“retorno de mercadoria ou bem recebido para conserto ou reparo”, versão interestadual).
A empresa recebe o bem de volta e registra a entrada com o CFOP 2916.
Por que não usar 1915 e 1916?
Os códigos 1915 e 1916 pertencem ao grupo “1”, reservado para entradas dentro do mesmo estado. Como o 6915 e o 6916 são, por definição, operações entre estados diferentes, a entrada correspondente sempre precisa vir do grupo “2” (entradas interestaduais) — ou seja, 2915 e 2916. Usar 1915/1916 em uma operação que começou com 6915 gera inconsistência entre o CFOP de saída informado pelo remetente e o CFOP de entrada esperado pelo destinatário. Isso pode resultar em problemas na escrituração fiscal de quem recebe o bem.
CFOP 6915 tem substituição tributária?
Não. Por não envolver venda, o CFOP 6915 não gera substituição tributária nem incidência de ICMS-ST. Ainda assim, por se tratar de uma operação interestadual, vale confirmar com o seu contador se o estado de destino exige algum documento de controle adicional para o transporte, já que as regras de acompanhamento fiscal podem variar entre UFs mesmo em operações sem venda.
Erros comuns ao usar o CFOP 6915
Usar as entradas 1915/1916 em vez de 2915/2916. Esse é o erro mais comum nessa operação — os códigos do grupo “1” servem apenas para entradas dentro do mesmo estado.
Usar o 6915 para operações dentro do mesmo estado. Nesse caso, o código correto é o CFOP 5915.
Esquecer de verificar exigências específicas de transporte interestadual, que podem variar conforme o estado de destino, mesmo em operações sem venda.

Dúvidas frequentes sobre o CFOP 6915
Normalmente não, já que não há venda. A operação costuma ser amparada por suspensão do imposto, mas vale confirmar as regras específicas do estado de destino antes de emitir.
O CFOP 2915, já que o bem está entrando em um estabelecimento localizado em um estado diferente do remetente.
O retorno é feito com o CFOP 6916, e quem recebe o bem de volta registra a entrada com o CFOP 2916.
Não. O CFOP 6915 é exclusivo para operações interestaduais. Para operações internas, use o CFOP 5915.
Sim, o CFOP 6915 pode ser usado para produtos, peças, equipamentos e máquinas enviados para reparo em outro estado.



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